Com o início de 2025, um dos fatores mais significativos a afetar os empréstimos à habitação é a evolução das taxas Euribor. As taxas Euribor, que representam a taxa de juro média a que os bancos da zona euro se emprestam entre si, têm vindo a diminuir nos últimos meses. Este movimento tem repercussões diretas nas prestações de crédito habitação, especialmente para aqueles com contratos de crédito com taxas de juro variáveis indexadas à Euribor. Neste artigo, vamos aprofundar o impacto da descida das taxas Euribor no crédito habitação, explicando as suas implicações e estratégias para beneficiar desta tendência.
O que é a euribor?
A Euribor (Euro Interbank Offered Rate) é uma taxa de referência utilizada no mercado interbancário da zona euro, sendo a taxa à qual os bancos se emprestam dinheiro uns aos outros em prazos que variam de uma semana a 12 meses. Esta taxa serve como base para a fixação de juros em vários produtos financeiros, como empréstimos pessoais, créditos habitação e outros instrumentos de dívida.
As taxas Euribor são ajustadas regularmente e refletem as condições do mercado monetário. Quando a Euribor sobe, o custo dos empréstimos também sobe, e quando a Euribor desce, os custos de financiamento tendem a diminuir. A evolução das taxas Euribor está intimamente ligada às políticas monetárias do Banco Central Europeu (BCE), que ajusta as taxas de juro para controlar a inflação e estimular ou conter o crescimento económico.
O impacto da descida da euribor no crédito habitação
Os créditos habitação com taxa variável estão diretamente dependentes da Euribor. Isto significa que, sempre que a Euribor desce, o valor das prestações mensais de crédito também tende a diminuir. Este efeito pode ser significativo, uma vez que muitos mutuários em Portugal têm contratos de crédito à habitação indexados à Euribor, sendo, portanto, mais vulneráveis às flutuações dessa taxa.
Como a descida da euribor afeta as prestações de crédito habitação
Redução das prestações mensais
Quando a Euribor desce, o valor das prestações mensais do crédito à habitação diminui, o que pode aliviar o orçamento familiar. Para quem tem um crédito com taxa variável, a queda da Euribor pode significar uma redução imediata do montante a pagar mensalmente.
Exemplo: Se um crédito habitação de 100.000 € tiver uma taxa de juro indexada à Euribor a 6 meses de 3,5%, uma descida de 1 ponto percentual na Euribor (de 3,5% para 2,5%) pode resultar numa redução de cerca de 70 a 80 euros nas prestações mensais para um empréstimo a 30 anos.
Melhoria da taxa de esforço
A taxa de esforço é um indicador da relação entre os rendimentos e os encargos mensais com crédito. Com a descida da Euribor, as prestações mais baixas contribuem para uma redução da taxa de esforço, permitindo aos mutuários uma maior margem financeira e possibilitando, em alguns casos, o acesso a novos financiamentos.
Exemplo: Se o rendimento líquido de uma família é de 2.000 € e a prestação mensal com crédito habitação era de 700 € (35% de taxa de esforço), a descida da Euribor pode reduzir essa prestação para 620 €, melhorando a taxa de esforço para 31%, proporcionando mais espaço para outros encargos e investimentos.
Maior facilidade na negociação de condições
A descida das taxas de juro pode também criar um ambiente propício para a renegociação das condições de crédito com os bancos. Os mutuários podem tentar obter melhores condições, como a redução dos spreads, ou mesmo transferir o crédito para outras instituições financeiras com taxas mais competitivas.
Exemplo: Se um cliente tem um spread de 1,5% e a Euribor está a 2,5%, a taxa de juro efetiva do crédito é de 4%. Com a descida da Euribor para 1,5%, a taxa de juro efetiva diminui para 3%.
Aumento da acessibilidade a novos financiamentos
Para aqueles que estão a pensar em adquirir uma nova casa ou em renovar o crédito existente, a descida da Euribor torna as condições de financiamento mais acessíveis. A redução das taxas de juro pode resultar em taxas mais baixas para novos empréstimos, facilitando a aprovação e a contratação de novos créditos.
Exemplo: Para um crédito habitação de 150.000 € a 30 anos, com uma taxa de juro de 4%, a prestação mensal seria de cerca de 716,12 €. Com uma descida da Euribor para 2%, a taxa de juro desceria para 3,5%, reduzindo a prestação mensal para 673,57 € – uma redução de 42,55 € por mês.
Estratégias para aproveitar a descida da euribor
Com a descida da Euribor, existem várias estratégias que podem ser implementadas pelos mutuários para otimizar as suas finanças e beneficiar desta tendência:
Renegociação de créditos
Se o seu crédito à habitação é indexado à Euribor, é aconselhável contactar a sua instituição financeira para verificar se é possível renegociar as condições do seu empréstimo. Algumas das opções a considerar incluem:
- Renegociar a taxa de juro: Tentar obter um spread mais competitivo ou mudar para uma taxa fixa ou mista.
- Transferir o crédito habitação: Considerar a possibilidade de transferir o crédito para outra instituição financeira que ofereça condições mais favoráveis.
Amortização antecipada
Se tiver liquidez extra, a amortização antecipada do crédito pode ser uma estratégia eficaz para reduzir a dívida e os encargos mensais. Além disso, pode ajudar a reduzir o tempo total de pagamento do empréstimo, poupando em juros ao longo do prazo do crédito.
Exemplo: Se tiver um crédito de 100.000 € a 30 anos, e amortizar 10.000 € antecipadamente, a redução no montante da dívida pode resultar numa poupança de 500 a 1.000 € em juros, dependendo das condições contratuais.
Consolidação de créditos
Se tiver outros créditos pessoais ou cartões de crédito, a consolidação de dívidas num único contrato de crédito habitação pode ser uma solução interessante para reduzir o montante global das prestações mensais, simplificando a gestão das suas finanças pessoais.
Aproveitar benefícios fiscais
Além da descida da Euribor, o governo português oferece alguns benefícios fiscais que podem ajudar a aliviar a taxa de esforço, como o IRS jovem, que permite uma isenção parcial de impostos, aumentando o rendimento disponível no final do mês.
Perspetivas para 2025
Embora a descida das taxas Euribor represente uma oportunidade para reduzir os encargos mensais e melhorar a gestão financeira das famílias, é importante manter um olhar atento sobre as tendências do mercado. A política monetária do BCE e as condições macroeconómicas podem influenciar a evolução da Euribor. Portanto, é fundamental continuar a monitorizar a evolução da taxa e tomar decisões financeiras com base nas previsões mais recentes.
Além disso, a digitalização do setor bancário e o aumento da transparência das ofertas de crédito tornam o processo de comparação de condições mais simples, permitindo que os mutuários escolham as opções que melhor se adequam às suas necessidades.
Para acompanhar a evolução das taxas Euribor e obter informações atualizadas sobre os seus valores, pode consultar o site Euribor Rates.
Conclusão
A descida das taxas Euribor em 2025 oferece uma oportunidade única para os mutuários que têm crédito habitação com taxa variável. A redução das prestações mensais pode aliviar o orçamento familiar e permitir uma gestão financeira mais equilibrada. No entanto, é importante agir de forma estratégica, renegociando condições, amortizando créditos ou consolidando dívidas para aproveitar ao máximo as condições atuais do mercado.
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